Reumatologia · São Paulo
A espondilite anquilosante — hoje denominada espondiloartrite axial — é uma causa frequente de dor lombar crônica em jovens e uma das mais subdiagnosticadas. Não é problema de postura. É inflamação que precisa de tratamento específico.
Agendar avaliaçãoO que é
A espondilite anquilosante é o termo tradicional, usado para descrever pacientes com dano estrutural visível nas articulações sacroilíacas ao raio-X. Com os avanços da ressonância magnética, que detecta inflamação muito antes do dano ósseo aparecer, o diagnóstico ficou mais precoce — e o nome evoluiu.
Hoje, o termo preferencial é espondiloartrite axial — um conceito mais amplo que engloba tanto a fase inicial (só inflamação, sem alteração no raio-X) quanto a fase com alterações estruturais já visíveis (o que classicamente chamávamos de espondilite anquilosante).
Em resumo: o nome mudou para melhor. Diagnosticar mais cedo significa tratar antes que ocorra dano permanente à mobilidade.
A espondilite anquilosante não é exclusiva de homens — afeta mulheres também, frequentemente com apresentação mais atípica, o que contribui para o atraso diagnóstico ainda maior no sexo feminino.
É uma doença com forte componente genético — o antígeno HLA-B27 está presente em cerca de 90% dos casos, mas HLA-B27 positivo isolado não faz diagnóstico. A avaliação clínica e por imagem é fundamental.
Diferentemente da lombalgia mecânica comum, a dor da espondiloartrite axial é inflamatória — piora com repouso, melhora com movimento e é mais intensa na segunda metade da madrugada.
Além da coluna, a doença pode afetar olhos (uveíte), intestino, pele e coração. Essas manifestações extraesqueléticas orientam o diagnóstico e a escolha do tratamento.
Quanto mais cedo o diagnóstico — idealmente pela ressonância magnética, antes do dano radiográfico — maior a chance de preservar a mobilidade e prevenir a fusão vertebral.
Como reconhecer
Dor lombar que acorda na madrugada, melhora com movimento e anti-inflamatório. O oposto da lombalgia mecânica — este padrão é altamente sugestivo de causa inflamatória.
Dificuldade de movimentar a coluna ao acordar, durando mais de 30 minutos — sinal de inflamação ativa nas articulações sacroilíacas.
Inflamação ocular aguda com olho vermelho, dor e fotofobia. Ocorre em até 30% dos pacientes com espondiloartrite e pode preceder os sintomas da coluna.
Inflamação nos tendões (entesite) — especialmente no tendão de Aquiles e na fáscia plantar — e inchaço de dedos inteiros (dactilite), chamado de "dedo em salsicha".
Dor lombar crônica com início antes dos 40 anos, especialmente entre 20 e 30 anos — deve levantar suspeita de espondiloartrite axial.
Melhora significativa e rápida com AINEs em dose plena é um critério de avaliação clínica para espondiloartrite axial — e diferencia da lombalgia mecânica comum.
Tratamento
Primeira linha para controle da dor e inflamação — em dose regular, não apenas quando dói. Uso contínuo pode retardar a progressão radiográfica.
Etanercepte, adalimumabe, certolizumabe — transformaram o prognóstico da espondilite. Reduzem inflamação, controlam sintomas e podem prevenir a progressão da doença.
Secuquinumabe, ixequizumabe e inibidores de JAK — opções eficazes para pacientes com resposta insuficiente ou intolerância aos anti-TNF.
Exercício regular — especialmente natação e exercícios de extensão — é fundamental para preservar a mobilidade e prevenir a rigidez progressiva da coluna.
Colaboração com oftalmologista para tratamento das crises de uveíte — condição que pode causar dano visual permanente sem manejo adequado.
Ressonância magnética da pelve e coluna para avaliar inflamação ativa. Índices de atividade de doença (BASDAI, ASDAS) para orientar ajustes terapêuticos.
Perguntas frequentes
Se você convive com dor lombar desde jovem sem diagnóstico claro, a espondiloartrite pode ser a causa.
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