Espondilite Anquilosante em São Paulo | Espondiloartrite Axial | Dra. Jaqueline Lopes

Reumatologia · São Paulo

Espondilite Anquilosante:
dor lombar que não é coluna

A espondilite anquilosante — hoje denominada espondiloartrite axial — é uma causa frequente de dor lombar crônica em jovens e uma das mais subdiagnosticadas. Não é problema de postura. É inflamação que precisa de tratamento específico.

Agendar avaliação
7–10
anos é o tempo médio entre os primeiros sintomas e o diagnóstico correto de espondilite
HLA-B27
marcador genético presente em 90% dos pacientes com espondilite anquilosante
20–30
anos é a faixa etária mais comum de início dos sintomas

Inflamação da coluna:
entendendo o diagnóstico

A espondilite anquilosante é o termo tradicional, usado para descrever pacientes com dano estrutural visível nas articulações sacroilíacas ao raio-X. Com os avanços da ressonância magnética, que detecta inflamação muito antes do dano ósseo aparecer, o diagnóstico ficou mais precoce — e o nome evoluiu.

Hoje, o termo preferencial é espondiloartrite axial — um conceito mais amplo que engloba tanto a fase inicial (só inflamação, sem alteração no raio-X) quanto a fase com alterações estruturais já visíveis (o que classicamente chamávamos de espondilite anquilosante).

Em resumo: o nome mudou para melhor. Diagnosticar mais cedo significa tratar antes que ocorra dano permanente à mobilidade.

A espondilite anquilosante não é exclusiva de homens — afeta mulheres também, frequentemente com apresentação mais atípica, o que contribui para o atraso diagnóstico ainda maior no sexo feminino.

É uma doença com forte componente genético — o antígeno HLA-B27 está presente em cerca de 90% dos casos, mas HLA-B27 positivo isolado não faz diagnóstico. A avaliação clínica e por imagem é fundamental.

Diferentemente da lombalgia mecânica comum, a dor da espondiloartrite axial é inflamatória — piora com repouso, melhora com movimento e é mais intensa na segunda metade da madrugada.

Além da coluna, a doença pode afetar olhos (uveíte), intestino, pele e coração. Essas manifestações extraesqueléticas orientam o diagnóstico e a escolha do tratamento.

Quanto mais cedo o diagnóstico — idealmente pela ressonância magnética, antes do dano radiográfico — maior a chance de preservar a mobilidade e prevenir a fusão vertebral.

Dor lombar que acorda
de madrugada

Dor que piora em repouso

Dor lombar que acorda na madrugada, melhora com movimento e anti-inflamatório. O oposto da lombalgia mecânica — este padrão é altamente sugestivo de causa inflamatória.

Rigidez matinal prolongada

Dificuldade de movimentar a coluna ao acordar, durando mais de 30 minutos — sinal de inflamação ativa nas articulações sacroilíacas.

Uveíte (olho vermelho doloroso)

Inflamação ocular aguda com olho vermelho, dor e fotofobia. Ocorre em até 30% dos pacientes com espondiloartrite e pode preceder os sintomas da coluna.

Entesite e dactilite

Inflamação nos tendões (entesite) — especialmente no tendão de Aquiles e na fáscia plantar — e inchaço de dedos inteiros (dactilite), chamado de "dedo em salsicha".

Início jovem

Dor lombar crônica com início antes dos 40 anos, especialmente entre 20 e 30 anos — deve levantar suspeita de espondiloartrite axial.

Resposta a anti-inflamatório

Melhora significativa e rápida com AINEs em dose plena é um critério de avaliação clínica para espondiloartrite axial — e diferencia da lombalgia mecânica comum.

Preservar a mobilidade
é o objetivo central

Alívio e controle
Anti-inflamatórios (AINEs)

Primeira linha para controle da dor e inflamação — em dose regular, não apenas quando dói. Uso contínuo pode retardar a progressão radiográfica.

Mudança de prognóstico
Biológicos anti-TNF

Etanercepte, adalimumabe, certolizumabe — transformaram o prognóstico da espondilite. Reduzem inflamação, controlam sintomas e podem prevenir a progressão da doença.

Nova geração
Inibidores de IL-17 e JAK

Secuquinumabe, ixequizumabe e inibidores de JAK — opções eficazes para pacientes com resposta insuficiente ou intolerância aos anti-TNF.

Essencial
Fisioterapia e exercício

Exercício regular — especialmente natação e exercícios de extensão — é fundamental para preservar a mobilidade e prevenir a rigidez progressiva da coluna.

Manifestações oculares
Tratamento da uveíte

Colaboração com oftalmologista para tratamento das crises de uveíte — condição que pode causar dano visual permanente sem manejo adequado.

Monitoramento
Imagem e atividade

Ressonância magnética da pelve e coluna para avaliar inflamação ativa. Índices de atividade de doença (BASDAI, ASDAS) para orientar ajustes terapêuticos.

O que você precisa
saber sobre espondilite

HLA-B27 positivo significa que tenho espondilite?
Não. HLA-B27 é um marcador genético presente em 8-10% da população em geral — a maioria nunca desenvolve espondilite. O diagnóstico exige avaliação clínica completa e, frequentemente, imagem da coluna e pelve.
Espondilite afeta somente a coluna?
Não. Olhos (uveíte), intestino (doença de Crohn/colite ulcerativa), pele (psoríase) e articulações periféricas também podem ser afetados — tornando o diagnóstico e acompanhamento multidisciplinar importantes.
A coluna vai ficar rígida mesmo com tratamento?
Com tratamento precoce e adequado, a progressão para fusão vertebral pode ser significativamente retardada. O tratamento precoce e a fisioterapia regular são os melhores aliados na preservação da mobilidade.
Posso continuar trabalhando e praticando esportes?
Sim — e o exercício físico é parte do tratamento. Atividades como natação, pilates e caminhada são especialmente benéficas. O controle adequado da doença permite vida ativa e plena.
Espondilite afeta mais homens ou mulheres?
Historicamente associada a homens, hoje sabe-se que afeta mulheres com frequência similar — mas com apresentação frequentemente mais atípica, o que causa atraso no diagnóstico no sexo feminino.
Qual a diferença entre espondilite anquilosante e espondiloartrite axial?
A espondilite anquilosante é o termo clássico, usado quando há dano estrutural visível ao raio-X nas articulações sacroilíacas. A espondiloartrite axial é o termo atual e mais amplo — inclui a fase precoce da doença, detectável apenas por ressonância magnética, antes de qualquer alteração no raio-X. O diagnóstico precoce é exatamente o que o novo conceito permite.

Dor lombar que piora em repouso
merece avaliação reumatológica.

Se você convive com dor lombar desde jovem sem diagnóstico claro, a espondiloartrite pode ser a causa.

Agendar avaliação pelo WhatsApp

© 2026 Dra. Jaqueline Lopes · Reumatologista · CRM-SP 109841 · RQE 24932 · Brooklin, São Paulo · drajaquelinelopes.com